Estamos emburrecendo???


Já nem sei há quanto tempo atrás, vi a possibilidade de receber indicações de músicas que combinavam com meu "estilo", que davam "match" com as que eu buscava e tocava no Spotify.

Achei um show na época (e durante muito tempo): só ouvir músicas que iriam me agradar... prá que melhor???

Achava, inclusive, que fazia todo sentido: satisfazer o cliente, colocá-lo no centro!

Que máximo essa inteligência artificial; era inteligente mesmo (estávamos chegando no futuro exibido nos filmes de ficção científica).


Tempos depois, quando comecei a utilizar o Youtube, o mesmo passou a acontecer (devia ser uma parente próxima da IA do Spotify): depois de ver um video específico me indicava outros tantos sobre o mesmo assunto.


Que maravilha essa tecnologia que encurtava caminhos, me mostrando os atalhos que eu queria...


Só fui me dar conta (e pensar um pouco mais sobre essa situação) durante o período pré-eleitoral, em 2018, quando recebia apenas videos supostamente das bandeiras que eu defendia, só que agora, turbinados pela opinião dos autores.


Abrindo um parêntese:

Pouco antes desses aplicativos "inteligentes", em 2002, um psicólogo israelense chamado Daniel Kahneman ganhou um Prêmio Nobel ... de Economia (?). Sim, você não entendeu errado, de economia mesmo; e a partir de lá iniciou-se uma corrente (se posso dizer assim) da Economia Comportamental.


Muito disso ele explicou em seu livro Rápido e Devagar, duas formas de pensar, onde sugere que nosso cérebro é regido por 2 sistemas (1 e 2), o primeiro (1) de respostas rápidas, automáticas, intuitivas, emocionais; o segundo (2) de respostas mais lentas, porém mais pensadas e lógicas.


Outro fator também importante já sabido é que nosso cérebro é um economizador de energia, ele trabalha o tempo todo pelo menor esforço (daí a famosa zona de conforto).

Fechando o parêntese


Olhando por um outro ângulo, esses aplicativos e seus algoritmos maravilhosos estão, no mínimo, limitando nossa possibilidade de visão (tipo aquelas viseiras em cavalos/burros que puxam uma carroça).

E digo no mínimo pois estamos tendo alguns indicativos (vide, por exemplo, os documentários disponíveis na Netflix Privacidade Hackeada e o novo O Dilema das Redes, além de uma instigante visão do pesquisador Atila Iamarino, em seu vídeo no Youtube Como o Facebook manipula os seus sentimentos) que mostram os executivos das chamadas big techs buscando manipular nossos desejos e vontades enquanto consumidores, e em benefício próprio.


E, neste particular, entendo que estão fazendo muito bem esse trabalho: conseguiram traduzir a ideia de que "não queremos pensar (muito), queremos facilidades, seguir atalhos, tomar decisões automatizadas, analisar situações de forma rasa e superficial", e nos "indicam" através dos tais algoritmos inteligentes, além do caminho mais curto e fácil, o que interessa aos seus ganhos - sociais e econômicos (já não tem mais como separar um do outro).


E talvez seja este o maior problema estabelecido por estes algoritmos: estão criando dois lados (e apenas dois) - seguindo a mesma premissa do mais fácil e superficial - e pior, opostos e de forma absoluta: preto OU branco; direita OU esquerda; certo OU errado.


Estamos esquecendo, com isso, do básico: escutar e respeitar a diversidade, as opiniões diferentes das nossas, e, em última instância, deixando de ampliar - concordando ou não - nossa visão de mundo.


Até lembro de uma teoria de que "os computadores são burros, só fazem o que os humanos determinam..." será que o jogo está virando e nós assumindo o papel dos computadores???


E até quando, como diria Zeca Pagodinho, vamos nos deixar levar... Mas prá qual destino mesmo???


Fica aqui a reflexão.


Grande abraço e Sucesso!!

Steiner Frazão



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